Mercado

Empresa mineira vai exportar extrato à base de urucum para Austrália

Laboratórios da Alemanha e da Nigéria também negociam a comercialização de produtos usados na cicatrização da pele

A empresa Profitus, de Viçosa, na Zona da Mata Mineira, irá exportar para a Austrália os princípios ativos extraídos do urucum para a fabricação de produtos fitoterápicos que aceleram a cicatrização de lesões na pele. O acordo, firmado com um laboratório australiano, permite que o extrato da planta seja vendido para a produção de medicamentos com eficácia em ferimentos causados pelo diabetes e no tratamento dermatológico de psoríase, escara, peles debilitadas e queimaduras.

O interesse dos australianos surgiu em 2016, após a divulgação do lançamento no mercado de quatro tipos de pomadas da Profitus, a Millitusderm, usada por diabéticos portares de lesões dermatológicas e escara (feridas que aparecem na pele de indivíduos que permanecem muito tempo na mesma posição); a Newderm, eficaz tratamento de psoríase, todos os tipos de dermatite, entre outros problemas cutâneos; a GoldenAge, indicada para pessoas da terceira idade com peles sensibilizadas ou debilitadas; a e Dermalive, usada em queimaduras de primeiro e segundo grau.

“Inicialmente eles queriam exportar o produto pronto, porém, como o órgão de fiscalização da Austrália não considera a certificação da Anvisa, a solução foi exportar o extrato do urucum para que a fabricação fosse feita no próprio país”, diz o diretor comercial da Profitus, Sidiney Sousa.

Além da comercialização do extrato, o acordo prevê uma parceria no desenvolvimento de pesquisas para a criação de novos produtos, como por exemplo, para uso veterinário, cosméticos e até para tratamento de herpes. “As pesquisas feitas com o extrato serão compartilhadas com a Profitus e, assim, poderemos desenvolver outras soluções também no mercado brasileiro”, explica Sousa.

Além da Austrália, outros países já reconhecem as propriedades medicinais do urucum.  A Alemanha e a Nigéria são alguns desses países que já estão em negociação com a Profitus para a exportação dos produtos prontos. “Estávamos prevendo essa internacionalização para o próximo ano, porém, não podemos deixar de aproveitar essas oportunidades e aceitação do mercado internacional”, justifica o diretor da Profitus.

Inovação

O uso do urucum como medicamento foi descoberto acidentalmente, quando o pesquisador Aloísio dos Reis trabalhava no desenvolvimento de uma resina para uma empresa multinacional. “Pesquisava sobre formas de estabilização da madeira para a produção de lápis. Ao manipular o extrato de urucum com a mão machucada, observei que as lesões cicatrizaram mais rapidamente”, explica o pesquisador.

Foi assim que nasceu a Profitus. Criada em 2006, a empresa é vinculada a Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e tem o apoio Finep, Cnpq e Fapemig.

Pelo resultado satisfatório e inédito, o Sebrae Minas e a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais (Sectes) em parceria com a UFV apoiaram a ideia e selecionaram o projeto para participar do Programa de Incentivo à Inovação (PII), iniciativa que estimula a criação de novas tecnologias, produtos e processos inovadores para o mercado, a partir do conhecimento gerado nas instituições de ensino. “O PII Tem ajudados pesquisadores mineiros a transformar pesquisas em produtos comerciais”, explica a analista do Sebrae Minas Andréa Furtado.

Atualmente, as pomadas são vendidas em farmácias, lojas especializadas em produtos para diabéticos e de produtos naturais em Minas Gerais, Ceará, Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, além do site da Profitus (www.profitus.com.br). A previsão é que novos produtos sejam lançados ainda nos próximos meses.

  

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