Atividade artesanal

Negócios do artesanato ocupam milhares de empreendedores mineiros

Além de identidade cultural e design, boa gestão financeira determina a sustentabilidade no setor

É inegável a importância social, econômica e cultural do artesanato em Minas Gerais. Segundo dados do Ministério da Cultura (MinC/2017), o estado reúne cerca de 300 mil artesãos, pouco mais de 3% do total de profissionais do setor no Brasil.

A mineira Ione Maria é artesã há 15 anos e expõe seus trabalhos na “Feirinha do Arnaldo” e no Palácio das Artes, ambos em Belo Horizonte. Ela trabalha com bijuteria de tecido e couro. “Minhas peças não são convencionais, porque meu público são artistas plásticos e designers”.

Ione salienta que para criar peças diferenciadas, participa de capacitações e feiras para sempre manter-se atualizada e oferecer produtos diferenciados. Ela afirma que o artesão “em tempo integral” enfrenta uma concorrência com os artesões de ocasião, “que ficam desempregados e começam a produzir sem um mínimo de conhecimento da área”, explica.

Foi justamente para organizar e mapear a atividade no Brasil que o Governo Federal instituiu a carteira do artesão. O analista do Sebrae Minas Vinícius Teixeira, sinaliza que a “formalização” veio para profissionalizar a atividade no país.

A pessoa precisa passar por uma banca, que analisa todo o processo da construção da peça e a capacidade do artesão em realizá-la. “Em poder da carteirinha, o artesão pode participar de editais (feiras, capacitações) e se beneficiar de políticas públicas para o setor”. Hoje, em Minas Gerais, temos cerca de 6 mil artesões cadastrados.

A artesã Railda Alves já faz parte desse cadastro. Ela produz miniaturas de igrejas barrocas há 24 anos. Ela vende para o atacado, mas começa a perceber um público para vendas no varejo e pretende inaugurar uma loja virtual em breve. Railda destaca que é possível viver da arte, mas alerta: “É primordial participar de feiras, capacitações e ter disciplina na produção”, afirma.

Sustentabilidade financeira

Para que a atividade artesanal seja sustentável, o empreendedor precisa cuidar da boa gestão financeira dos negócios. Confira algumas dicas da analista do Sebrae Minas Beatriz Carvalho:


Seja profissional. Não tenha constrangimento em negar uma venda “fiado”.
Invista em uma máquina de cartão.
Separe todos os gastos pessoais das despesas com negócio.
Totalize todas as receitas e despesas mensalmente. Só assim conseguirá saber a evolução ou não do negócio.
Registrar todas operações de entradas e saídas de dinheiro do negócio, inclusive os gastos que forem pessoais.
Saber formar o preço de venda – base da gestão. Ele tem que cobrir todos os custos e ainda comportar um percentual de lucro líquido.
Se for preciso cobrar, cobre, e o mais rápido possível. Quanto mais tempo demorar a fazer a cobrança, mais difícil ficará o seu recebimento.
Planejar onde está e onde quer chegar. Este planejamento motiva o empreendedor a superar barreiras, imprevistos, queda nas vendas e concorrência.

 


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