Diversidade

Negros e pardos são a maioria dos empreendedores brasileiros

No Dia Internacional Contra a Discriminação Racial (21/3), mineiros mostram que o potencial para empreender independe da cor da pele

Dos mais de 52 milhões de empreendedores brasileiros, a maior parte são negros ou pardos, de acordo com a pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM). Este grupo ainda é maior entre as mulheres que chega a ser 60% do total das empreendedoras do país, contra 40% de brancas. E é em homenagem ao Dia Internacional Contra a Discriminação Racial (21 de março), que o Sebrae Minas conta histórias de empreendedores que mostraram que a cor de pele é indiferente para o sucesso nos negócios.  

“O empreendedorismo está ligado a capacidade de identificar oportunidades, solucionar problemas, agregar valores e contribuir para a sociedade de maneira inovadora. E o Sebrae tem propósitos inclusivos e o compromisso de fomentar o empreendedorismo independente da cor, credo, gênero ou religião”, explica o Superintendente do Sebrae Minas, Afonso Maria Rocha.

O empreendedorismo está no sangue de muitas mineiras. Uma delas é a professora Neusa Mari Barcelos, sócia-proprietária do Núcleo Educacional Ser Feliz, em Belo Horizonte. Na escola de educação infantil, grande parte dos alunos são filhos de profissionais brancos de alto destaque no mercado. “Fomos escolhidos não pela cor de nossa pele, mas pelo nosso trabalho pedagógico, pela nossa capacidade enquanto educadores. As nossas crianças convivem em um espaço onde não existe preconceito, não só de cor, mas também em relação aos portadores de necessidade especiais. Elas sairão daqui e levarão a semente da igualdade para fora, que certamente dará frutos”, explica a empreendedora.

A empresa completa este ano 25 anos de mercado, 13 anos sob a gestão de Neusa e a filha Tatianne Barcelos Paim, psicopedagoga. Com 15 funcionários, a instituição tem hoje 70 alunos, de três meses a seis anos de idade. “Não há diferença entre um empreendedor negro ou branco. O que importa no mercado hoje é a criatividade, competência no que faz e, principalmente, a busca por diferenciais no atendimento e na qualidade para conquistar os clientes”, afirma Tatianne.

Quanto ao preconceito racial, ela acredita que está diminuindo. “Aquela coisa de que o negro é desfavorecido social, cultural e intelectualmente está, enfim, desaparecendo. Estamos avançando, conscientes de nosso valor como pessoas e no mercado de trabalho. Não faz mais sentido ficarmos presos às amarras do passado, que nos impedem de crescer”, justifica a psicopedagoga.

Diversidade e competitividade

Outro exemplo de como o negro têm lutado por seu lugar ao sol vem da Dandara Elias, fundadora do instituto Todo Black é Power. Após uma viagem para a África do Sul, ela conta ter redescoberto sua negritude e, desde então, passou por mudanças internas e externas. Fez uma transição capilar – interrompeu os tratamentos químicos e assumiu os cabelos naturais – e começou a entender melhor qual era seu lugar na sociedade. “Foi um período muito difícil, pois não conseguia encontrar especialistas em cabelos crespos em Belo Horizonte que não recorressem à química. Minha única forma de apoio eram os grupos da internet”, relembra.

No início de 2014, Dandara transformou a inquietação em um modelo de negócios rentável. Começou a vender camisas com mensagens de empoderamento na internet, participou da organização do evento Encrespa Geral – voltado para incentivar a naturalidade dos cabelos – e, em dezembro de 2015, abriu o instituto especializado em estética negra em geral. Segundo ela, o negócio foi o primeiro em Minas Gerais a trabalhar os cabelos crespos sem química e um dos três primeiros do Brasil.

O retorno foi rápido. No primeiro ano de funcionamento, o espaço já não era suficiente para a demanda e o faturamento cresceu 300% ao fim dos 12 meses. No segundo, novo aumento de 150%. E a previsão para 2018 é chegar à marca de 200% mais no faturamento.

Mais do que estes resultados, Dandara afirma que o retorno dos clientes é o que a deixa satisfeita. “O que a gente faz é muito maior do que cuidar do cabelo. Era um público totalmente ignorado e nós ensinamos essas pessoas a se valorizarem”, diz a empreendedora.

  

Assessoria de Imprensa do Sebrae Minas

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