Agronegócios

Produtor de café do Sul de Minas une experiência e gestão para aumentar a produtividade

Participante do Educampo conseguiu reduzir em até 18% o custo operacional por saca  

 

Produzir mais, com qualidade superior e custo equilibrado. Um sonho de qualquer produtor. Pois foi esse o resultado alcançado por Nivaldo Donizete Arantes, cafeicultor de São Gonçalo do Sapucaí/MG que, há oito anos, deu início à parceria com o Educampo Sebrae e começou a registrar sucessivas melhorias nos indicadores agronômicos e gerenciais.

Nesse tempo, Nivaldo implementou mudanças significativas em sua propriedade, a Fazenda Nossa Senhora da Aparecida, o que fez com que a produtividade melhorasse e em contrapartida os custos de produção caíssem. Consequentemente, seu lucro aumentou. Para sermos mais exatos, dobrou.

Os números provam isso. Ao comparar o biênio 2011/2013, quando do início da consultoria, com o biênio 2016/2018, o Custo Operacional Efetivo por saca (COE, que compreende todos os custos efetivamente desembolsados em um ano agrícola) reduziu 18,39% e o COE por hectare caiu 17,36%, valores expressivos quando se fala em redução de custos.

Essas conquistas se deram porque houve ações efetivas em relação aos processos de adubação, colheita, controle de pragas, doenças e plantas daninhas. “Fazíamos adubação sem necessidade. Não estávamos usando o adubo ideal e nem a quantidade certa”, conta Nivaldo. O manejo incorreto implicava em custos exagerados, o que foi identificado e corrigido pelo consultor do Educampo Sebrae Lázaro Dornelas.

De modo geral, para o controle de plantas daninhas a roçadeira mecanizada passou a ser mais utilizada que a roçadeira manual, padronizando o número de roçadas e o tempo correto da operação, assim como a utilização da quantidade ideal de herbicidas. Já para fazer o controle de pragas e doenças a estratégia foi utilizar a aplicação dos produtos no momento e local corretos, de forma preventiva. Outra medida foi fazer cotação dos insumos para comprar produtos mais em conta. Segundo Lázaro, a otimização dos custos de produção possibilitou, inclusive, reduzir o nível de dano econômico das pragas e doenças aceitável para obter ganhos em produtividade e qualidade. “Antes eram feitas de uma a duas, agora de quatro a cinco pulverizações”.

Controle essencial

Dizem que é o olho do dono que engorda o gado, mas, pelo visto, faz também o café crescer e a fazenda prosperar. O produtor Nivaldo acompanha de perto o andamento de todos os processos em sua propriedade. Ele fica de olho em todos os indicadores. Tudo o que é feito é registrado diariamente. Esse controle efetivo faz toda a diferença na hora de contabilizar os custos, pois contribui para acompanhar se os manejos estão sendo feitos corretamente, e o impacto financeiro deles na rentabilidade da fazenda.

Para chegar onde chegou foi preciso muita dedicação do produtor, cuja história está entrelaçada com a da Fazenda Nossa Senhora da Aparecida. Essas terras, onde hoje planta o sustento da família, pertenciam ao patrão de seu pai, que era funcionário-administrador da fazenda. Na época, a fazenda era usada para criação de gado. Foi em 1979 que Nivaldo e seu irmão começaram a comprar partes da propriedade e deram início à produção de café. Hoje, são 48 hectares de lavouras com mais de 150 mil pés de café, de diversas variedades: Catucaí Amarelo e Vermelho, Catucaí, Mundo Novo, Aranã e Bourbon. A média de produção por hectare está em 35 sacas.

Por ser nascido e criado nessas terras, desde novo o cafeicultor sabe que a região é privilegiada para a o plantio de café devido às condições climáticas favoráveis para a cultura. Segundo ele, a chuva pode atrasar, mas não falha, o que impacta positivamente na qualidade do café.

Por falar em qualidade, ela sempre foi superior, principalmente porque a propriedade está localizada a 1200 metros de altitude, no alto da Serra de São Gonçalo. Nessa altura, a maturação do café ocorre mais lentamente podendo concentrar maior quantidade de minerais nos grãos, imprimindo sabor, aroma e acidez característicos e diferenciados. “Sempre produzimos cafés especiais, mas a gente não sabia”, afirma o produtor, que hoje assegura a qualidade do seu café (que atinge os 85 pontos, mesmo o de varrição), com duas certificações: a Certifica Minas e a Fair Trade.

Obter essas certificações abriu portas para o mercado internacional. Hoje, a maior parte da sua produção é exportada, principalmente para a Austrália, onde a família do Nilvaldo mantém parceiros compradores há pelo menos seis anos. “Todo ano eles compram. Em 2014, nosso café foi considerado o melhor café da Austrália”. Além de facilitar a abertura de comércio para outros países, as certificações possibilitaram melhoria na organização dos processos, maior garantia da qualidade do café produzido e maior segurança dos colaboradores já que os procedimentos são auditados.

 

Assessoria de Imprensa do Sebrae Minas

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