Dia da Consciência Negra

Uma história de superação, fé e muito trabalho

Marciléia Napoleão, de Divinópolis, acreditou no próprio talento e mudou os rumos da sua história

Segundo dados do estudo Empreendedorismo Negro no Brasil, realizado pela aceleradora de empresários negros PretaHub, da Feira Preta, em parceria com a Plano CDE e o JP Morgan, empreendedoras e empreendedores negros movimentam R$ 1,7 trilhão por ano no Brasil e mais da metade – cerca de 51% dos brasileiros que empreendem – são pretos ou pardos. Destes, 52% são mulheres.

Por outro lado, esses mesmos empreendedores enfrentam muito mais dificuldades para investir, faturam menos e poucos empregam ao menos um funcionário. A empresária Marciléia Rosária dos Santos Napoleão, de Divinópolis, faz parte desse contingente de empreendedores. Ela começou a trabalhar aos 11 anos como babá, foi empregada doméstica e descobriu nas vendas seu maior talento.

Depois de trabalhar como vendedora de cosméticos e lingeries, a empreendedora abriu, em 2011, uma loja que vende modinha e roupas infantis, a Bem-me-quer, que em breve deve mudar de nome.

Para formalizar o negócio e ter sucesso em seu empreendimento, Marciléia buscou apoio no Sebrae Minas. “O Sebrae me ajudou e ainda ajuda com várias consultorias. Eu me tornei MEI e fiz cursos de finanças. Isso contribuiu bastante”, conta.

Ela diz que no começo abriu uma lojinha na garagem de casa. “Como sou uma mulher de muita fé, sempre acreditei no trabalho e mantive a esperança em dias melhores. Em 2010, participei de uma promoção feita por um supermercado e ganhei um carro no sorteio.  Em 2011, com a ajuda da minha mãe e o dinheiro da venda do carro, montei minha loja.”

Marciléia diz que o perfil de seus clientes tem mudado muito. Ela conta que, no princípio, quando as pessoas entravam na loja e viam que a proprietária era uma negra, “estranhavam, mas não falavam”. “Essas coisas a gente percebe no olhar, né?”, observa.

Atualmente, a empresária tem investido mais em vendas por meio das redes sociais. “Depois que comecei a mostrar mais a minha cara nas redes sociais e apresentar meus produtos, percebo que os negros têm procurado mais minha loja e comprado mais. É como se eles se sentissem mais à vontade por sermos iguais. E já estou até pensando em mudar o nome do estabelecimento, mas ainda não defini qual será”, diz.

Educação empreendedora

Márcia Lúcia da Silva é professora de Língua Portuguesa e Literatura e trabalha com alunos do ensino fundamental e médio da rede estadual de Minas Gerais. Ela conta que os anos de experiência em sala de aula provaram inúmeras vezes que a educação é capaz de mudar uma vida.

“Convivo com jovens de todas as classes sociais. Não sei ainda com exatidão, mas percebo que a valorização da raça negra trouxe para esta comunidade o desejo de empreender. Os pátios da escola estão repletos de empreendedores, vendedores e articuladores”, observa.

A educadora acredita que é hora de o mercado ter um olhar mais apurado para o público jovem negro. “Mas, para isso, também é preciso que as escolas profissionalizantes sejam mais diversificadas e ativas. Os bancos de dados digitais precisam captar e encaminhar esses jovens para as empresas corretas. E formar empresários e ter empreendedores na empresa é buscar expansão  mercadológica. Todo mundo lucra”, conclui.

 

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