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“Viagem à origem” promove o artesanato mineiro

Sebrae Minas e Idene realizam expedição com lojistas brasileiros a 12 municípios do Vale do Jequitinhonha e Norte de Minas. Ação resulta em mais de R$ 325,3 mil em compras diretas e encomendas e ajuda a promover roteiros

Artesãos do Vale do Jequitinhonha comemoram resultado da expedição.O artesanato é uma das principais expressões da cultura do Vale do Jequitinhonha e Norte de Minas. Bonecas e utensílios de cerâmica, esculturas em madeira, tecelagem e ornamentos feitos com plantas típicas da região, como as sempre-vivas, o capim dourado e o bambu, são algumas das referências do artesanato regional. A atividade mobiliza milhares de pessoas, em grande parte mulheres que tiram do ofício uma das principais fontes de renda das famílias.

Para estimular a atividade na região, o Sebrae capacita e facilita o acesso dos artesãos a novos mercados. Cursos de design e gestão, além de subsídios para a participação em feiras nacionais são algumas das ações promovidas para abrir novas frentes de negócios para o setor. Recentemente, entre os dias 20 e 26 de maio, um grupo de 16 lojistas de seis estados brasileiros visitou a região em uma expedição que resultou em mais de R$ 325,3 mil em compras diretas e encomendas. 

A ação, chamada de Trip to origin, ou viagem à origem, foi promovida pelo Sebrae Minas, Diretoria de Desenvolvimento e Promoção do Artesanato Mineiro, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes), e Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene). “Além do resultado financeiro, que foi significativo, a viagem permitiu aos lojistas conhecerem de perto a realidade dos artesãos, a identidade cultural que está presente em seu trabalho. Isso, com certeza, enriqueceu o repertório dos lojistas, que poderão contar aos clientes, com mais propriedade, a história que há por trás de cada peça”, avalia Vinicius Teixeira, analista do Sebrae Minas.

A expedição de seis dias percorreu 2,5 mil quilômetros de estrada para visitar 39 núcleos de produção, em 12 municípios. Para Fernanda Trombine, dona da loja Xapuri Brasil, que funciona dentro do tradicional restaurante homônimo de Belo Horizonte, ajudou a organizar a expedição. Ela conta que um dos grandes desafios foi realizar um percurso tão longo, em poucos dias. “Foi um sonho ousado, mas conseguimos realizar”, diz, orgulhosa.

Fernanda afirma que o cansaço da longa viagem foi compensado pela receptividade e pelo sentimento de gratidão de cada grupo visitado. “Não vimos miséria ou infelicidade por onde passamos, ao contrário, as pessoas vivem do artesanato, sustentam suas famílias com a arte”, conta a empresária. Não há melhor investimento no ser humano do que esse. “Os artesãos têm amor ao seu ofício, transformam a realidade à sua volta com dignidade e ajudam as cidades a progredir”, completa.

Lucinéia de Souza Barbosa, mais conhecida como Neia, confirma a impressão de Fernanda. Aos 45 anos, a artesã de Taiobeiras, no Norte do estado, aprendeu a arte de transformar o barro ainda menina, mas passou a ter o ofício como profissão há pouco mais de 10 anos. “Em 2008, fiz um curso de design oferecido pelo Sebrae, que na época levantou as matérias primas mais ricas em nossa região. Daí em diante não parei mais de trabalhar com a argila”, conta.

Neia faz esculturas das tradicionais bonecas de cerâmica da região, além de santos, presépios e cenas que reproduzem o cotidiano das comunidades locais. Casada e mãe de duas filhas, de 10 e 6 anos, a artesã produz, em média, 200 peças por mês, e está prestes a realizar o sonho de abrir uma pequena loja na frente de sua casa. “O artesanato é uma expressão de mim, um dom. Sempre sonhei em crescer com esse ofício e emocionar as pessoas com a minha arte, e estou conseguindo”, diz.

A artesã é uma das que comemora as vendas feitas para os lojistas que participaram da Trip to origin. Entre vendas diretas e as encomendas já realizadas para o grupo, Neia faturou quase 40% de tudo o que vendeu em 2018. Foram cerca de R$ 8 mil em vendas para os lojistas da expedição, além da expectativa de vendas futuras. “Foi uma experiência muito boa! Além das vendas, recebi muitos elogios pelo meu trabalho, o que foi muito gratificante”, relata. 

Trip to origin –Vale do Jequitinhonha e Norte de Minas 

  • 2,5 mil quilômetros
  • 12 municípios
  • 16 compradores
  • 39 núcleos de produção visitados 

Os participantes da expedição conheceram a produção artesanal dos seguintes municípios:

•          Diamantina e entorno: grupos de divinos em madeira (Datas), Sempre Vivas (Galheiros), Capim Dourado (Presidente Kubitscheck) e bambu (São Gonçalo do Rio das Pedras);

•          Campo Buriti, Coqueiro Campo e Minas Novas: grupos de cerâmica de tradição;

•          Chapada do Norte: associação de artesãos que produzem móveis e instrumentos musicais utilizando couro e madeira;

•          Berilo: grupos de tecelagem e bordado;

•          Caraí, Santa do Araçuaí e Taiobeiras: grupos de cerâmica de tradição;

•          Grão Mogol e Botumirim: grupos de tecelagem;

•          Capitão Enéas: esculturas em madeira;

•          Pirapora: carrancas e benjamins de madeira.

  

Assessoria de Imprensa Sebrae Minas

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